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Pesquisa dos murais da Capela da Nonna do Museu Casa de Portinari revela primeiros resultados

Em consonância ao Programa de Acervo do Museu Casa de Portinari, neste quarto trimestre foram apresentados os primeiros resultados da pesquisa dos murais de Portinari realizados na Capela da Nonna.

O local foi construído por Candido Portinari para sua avó, justificando o título da edificação (nonna é “avó”, em italiano). D. Pelegrina, muito religiosa, não conseguia mais se deslocar até a Igreja para rezar em virtude da idade muito avançada. A tristeza que a avó sentia por essa impossibilidade comoveu o neto, que resolveu não só construir a capela nos jardins da casa, como também, pintar nas paredes internas os santos de maior devoção da avó, com um detalhe especial: os rostos de cada um são de amigos e membros da família Portinari.

Apesar das circunstâncias da construção e pintura da Capela da Nonna serem conhecidas por relatos, documentos e fotos, uma análise mais profunda se fazia necessária, uma vez que a edificação já havia sido submetida a intervenções de conservação e restauro e algumas perguntas sobre a composição dos materiais utilizados por Portinari em suas obras ainda precisavam ser respondidas. Essas respostas ofereceriam maior possibilidade de acerto em eventuais futuras ações, além de enriquecer o conjunto de informações sobre a forma de trabalhar do artista.

Para isso, o Museu Casa de Portinari estabeleceu uma parceria com o NAP-FAEPAH (Núcleo de Apoio à Pesquisa de Física Aplicada ao Patrimônio Histórico e Artístico). Coordenados pela pesquisadora Márcia Rizutto, professora do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, os pesquisadores se reuniram com a equipe técnica e conservadores do museu afim de definir quais informações precisavam ser extraídas das obras. Os trabalhos foram desenvolvidos nos anos de 2015 e 2016 e abrangeram não somente os murais da Capela da Nonna, mas também outros que estão dentro da casa.

A partir de técnicas fotográficas especiais, foram obtidas imagens que revelaram dados sobre o estado de conservação dos murais, a intensidade de intervenções anteriores, o processo criativo do pintor e os elementos químicos presentes nos pigmentos utilizados por Portinari. Apesar dessas informações já serem de grande relevância por si só, existe ainda um potencial maior de análise que pode resultar em novas descobertas e conclusões.

Sobre as técnicas empregadas, a Professora Márcia explica que a luz ultravioleta permite a observação de detalhes sobre intervenções que não podem ser vistas a olho nu. Já o infravermelho, feito a partir de uma câmera digital com filtro IR acoplado à lente, demonstra o desenvolvimento do processo de criação da obra, uma vez que os desenhos subadjacentes podem ser enxergados. A luz rasante, por sua vez, traz informações sobre os tipos de pinceladas e traços. Por fim, a análise da fluorescência de raios X e Raman, além de permitir a descoberta dos pigmentos utilizados pelo artista, possibilita saber mais sobre os elementos químicos e compostos presentes na obra.

Vale a pena ressaltar que a realização desse procedimento só foi possível em virtude da capacidade dos pesquisadores em transportarem os sofisticados equipamentos, montando um verdadeiro laboratório dentro do museu. Costumeiramente, trabalhos dessa natureza se dão de maneira diferente, demandando o transporte das obras de arte até um laboratório, necessitando inclusive que amostras microscópicas sejam retiradas, o que não seria possível com os murais de Portinari.

O objetivo institucional é expandir a mesma possibilidade para os demais murais que compõem a coleção; para isso, já está agendada uma nova etapa de pesquisa que abrangerá outros murais de Portinari na casa, bem como bisnagas de tinta utilizadas pelo pintor.

 

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