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Rotina de conservação do acervo do Museu Casa de Portinari

Dentre todos as rotinas específicas realizadas pelo Museu Casa de Portinari, os Programas de Acervo e de Edificação têm papel primordial para a conservação e salvaguarda dos materiais. Dois fatores principais desafiam este trabalho: o primeiro deles é a heterogeneidade do acervo, o qual, ainda que restrito, pode ser considerado de relevante abrangência. O outro é a unicidade da edificação que abriga o museu, que constitui hoje um exemplar de arquitetura diferenciada em meio às transformações urbanas, acrescido do fato de abrigar pinturas murais distribuídas por seus cômodos.

Tais fatores associados às variações climáticas e ao impacto natural da visitação à antiga residência dos Portinari constituem um desafio enfrentado através atividades cumpridas à risca para que todos esses elementos coexistam. Os cômodos da casa do artista abrigam não só a mobília e os utensílios domésticos da família, como também pertences do artista, materiais de trabalho, desenhos originais e pinturas murais de Portinari e de amigos. Mais do que acomodar objetos, o imóvel recebeu a difícil missão de ser um museu e se adaptou para receber grupos de visitantes que apreciam a história e a arte do pintor brodowskiano.

É somado a isso os elementos externos à instituição, como as mudanças de temperatura e de umidade relativa do ar que, dependendo da época do ano, podem ter grandes variações e que oferecem – quando em circunstâncias extremas – potenciais riscos à conservação.

O alto número de visitação ao museu também não pode deixar de ser considerado como elemento que interage com as práticas de conservação, já que é conhecido que a presença humana em qualquer ambiente oferece interferências. Nesse sentido, a equipe técnica da instituição, apoiada nos parâmetros desenvolvidos pelos Programas de Acervo e de Edificação, tem trabalhado ações simples, porém que levam a uma eficaz tentativa de convívio harmonioso desses fatores.

A coleta de dados de temperatura e umidade relativa do ar são feitas por meio de termo-higrômetros instalados nas vitrines ou em ambientes próximos às pinturas murais, para monitoramento da variação climática nos micro e macro ambientes do equipamento. Duas vezes ao dia (de manhã e à tarde), os dados são coletados, passando a compor uma planilha mensal que demonstra, através de um gráfico em linha, a alteração da temperatura e umidade nos diversos ambientes do museu. Assim, a equipe técnica pode coletar os dados e compreender o comportamento da casa e das vitrines ao longo do ano, dessa forma planejar ações prévias para uma relação equilibrada entre esses elementos, além de promover eventuais modificações de posição, espaço e exibição de determinadas peças.

Dessa forma, é possível interferir diretamente, por exemplo, na variação da temperatura e umidade relativa do ar através do uso de umidificadores (para ambientes demasiadamente secos), sílica gel (para ambientes demasiadamente úmidos) e ventiladores (para melhor circulação do ar, o que pode favorecer uma melhor temperatura para determinados objetos). Os desenhos originais foram os mais beneficiados com essa ação, dada sua fragilidade, uma vez que datam da metade do século passado e são em grafite sobre papel.

No monitoramento dos níveis de iluminação é considerado as diferentes tipologias exibidas no museu. Não foi possível utilizar uma única iluminação regular para toda a casa, mas foi necessária uma customização dos níveis de iluminação variando de ambiente para ambiente, de vitrine para vitrine, de acordo com o objeto exibido em determinado setor do museu. Nesse sentido, o projeto luminotécnico da instituição foi desenvolvido por meio de assessoria externa e sob o uso de luxímetro, equipamento com capacidade de medir a intensidade de luminosidade. A equipe técnica monitora esse níveis e insere os dados em planilhas e eventualmente aperfeiçoando a iluminação de determinados setores para uma experiência cada vez mais agradável para o visitante e menos prejudicial ao acervo.

Já as vistorias diárias são realizadas pela equipe técnica conforme a necessidade de eventuais ações de rápido impacto: abrir/fechar de janelas, aumento/diminuição da intensidade de ventiladores e umidificadores, substituição de sílica gel, uso de tapetes para secagem de calçados para conter o excesso de umidade de determinado ambiente em dias chuvosos, monitoramento de eventos que envolvem a edificação, tais como rachaduras, desgastes e sujidades, dentre outros. Registros fotográficos são constantemente realizados para o acompanhar cada uma dessas tarefas.

Vale a pena ressaltar que os cuidados de conservação não são só promovidos visando evitar a necessidade de restauro de uma determinada peça do acervo, mas também para ser capaz de exibi-la constantemente ao público. Os visitantes não são vistos como inibidores de boas práticas de conservação, mas sim como principais consumidores do serviço da equipe de acervo e de edificação.

 

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