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De 1903 a 1918

Confira a linha do tempo sobre Candido Portinari, de 1903 a 1918.

Família Portinari Linha do Tempo

Família Portinari

1903

Candido Portinari nasce numa fazenda de café, em Brodowski, São Paulo, no dia 30 de dezembro. Seus pais foram os imigrantes italianos Batista Portinari e Domênica Torquato, que tiveram 12 filhos.

“Nasci numa fazenda de café. Meus pais trabalhavam na terra… Mudaram-se da fazenda Santa Rosa para a estação de Brodósqui – onde não havia ainda povoado; eu devia ter dois anos de idade.

No local viviam com meus pais, minha vó paterna, um tio e uma tia, ambos irmãos de meu pai. Lembro-me vagamente da casa e do armazém; havia um quarto cheio de melancias e de caixas de vinho do Porto. Estas caixas vinham sempre com surpresa. Grande foi minha alegria quando numa veio um pequeno canivete com cabo de madrepérola”.

(Paris, 29 de novembro de 1957)

1909

O menino Portinari começa a desenhar.

1912

Participa, durante vários meses, dos trabalhos de restauração da Igreja de Brodowski, ajudando os pintores italianos a “Dipingere Le Stelle” (pintar estrelas). Mais tarde, auxilia um escultor frentista (especialista em fazer anjos/adornos).

“O vigário João Rulli desejava encomendar uma porteira e não se entendiam, peguei um papel e desenhei a porteira. O padre ficou olhando para mim e disse: – Amanhã chegará o frentista para ornamentar a fachada da nova igreja. Você deve ir vê-lo e aprender. Ricardo Luini era o nome do meu escultor. (…) Quando terminou, deu-me uma prata de dois mil réis e uma viagem a Ribeirão Preto. Pessoa muito boa”.

(Retalhos de minha vida de infância)

1914

Retrato de Carlos Gomes

Retrato de Carlos Gomes

A partir de uma carteira de cigarros, Portinari faz a lápis um retrato do músico Carlos Gomes. A família guarda o desenho.

1918

Viaja para o Rio de Janeiro. Tem aulas de desenho no Liceu de Artes e Ofícios. Matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes, na qual estuda desenho e pintura. Seus professores foram Rodolfo Amoedo, Batista da Costa, Lucílio Albuquerque e Carlos Chambelland.

“Quanto mais próxima a partida mais aflito ficava. Olhava o chão, as plantas, os animais, as aves e aquela luz… Parecia que nunca mais iria ver tudo aquilo que era parte de mim mesmo. Quantas lágrimas derramei às escondidas. Vi e revi mil vezes todos os recantos. Saudade incontida do que ficava. (…) Procurava ensaiar para não ser traído pela emoção. Ia à casa de minha vó, trocava duas palavras e saía vencido, qual, não era possível. Voltava para casa, falava com minha mãe e sentia-me impossibilitado de dizer palavras. Não poderia despedir-me. Preferia não ir mas necessitava ir, estava na idade. O sol, a lua, as estrelas, as águas do rio, o vento, tudo ficaria lá e eu encontraria o escuro.”

Paris, setembro de 1958.