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De 1950 a 1957

Confira a linha do tempo sobre Candido Portinari, de 1950 a 1957.

1950

Viaja para a Itália em fevereiro e visita Chiampo, terra natal de seu pai. 
Expõe seis trabalhos na XXV Bienal de Veneza. Recebe pelo painel “Tiradentes”, a Medalha de Ouro da Paz do II Congresso Mundial dos Partidários da Paz, em Varsóvia.

“O Descobrimento do Brasil - linha do tempo”

“O Descobrimento do Brasil”

1951

Participa, com uma sala especial, da 1ª Bienal de São Paulo. A Bienal conta com mais de 2 mil trabalhos de pintura, escultura, arquitetura e gravura de artistas de 19 países. Na Itália é lançada a monografia Portinari, organizada e apresentada por Eugenio Luraghi (ed. Della Mondione, Milão).

1952

Pinta para o Banco da Bahia, em Salvador, o Mural “A Chegada da Família Real Portuguesa à Bahia”. Com ilustrações de Portinari, o semanário O Cruzeiro publica o romance “Os Cangaceiros” de José Lins do Rego. Pinta um conjunto de obras sacras para a Igreja Matriz de Batatais (SP), pequena cidade próxima a Brodowski.

1953

É inaugurada a decoração para a Igreja de Batatais. E realizada a Via Sacra para integrar o conjunto das obras. Começa a demonstrar um problema grave de saúde devido à intoxicação com tintas. Expõe no Museu de Arte Moderna do Rio uma mostra com mais de 100 obras.

Painéis “Guerra e Paz”

Painéis “Guerra e Paz”

Inicia o trabalho dos enormes painéis “Guerra e Paz” para a sede da ONU em Nova York.

1954

Participa com mais 14 artistas de 15 países da mostra organizada pelo Comitê de Cooperação Cultural com o Estrangeiro, em Varsóvia, que tem como tema principal a luta dos povos pela paz. Executa também um painel dedicado aos “Fundadores do Estado de São Paulo” para o jornal O Estado de São Paulo. Expõe novamente no Museu de Arte de São Paulo. Participa da III Bienal de São Paulo, com uma sala especial. Com os sintomas da intoxicação cada vez mais presentes, é proibido pelos médicos de pintar por algum tempo. “Estou proibido de viver”, reclama.

1955

Participa da III Bienal de São Paulo, ocupando novamente uma sala especial. O Internacional “Fine Arts Council”, de Nova York, confere-lhe uma medalha como o pintor do ano. Ilustra o romance “A Selva”, de Ferreira de Castro. Em outubro, é inaugurado o painel “O Descobrimento do Brasil”, encomenda do Banco Português do Brasil, no Rio.

1956

Viaja à Itália e a Israel e faz exposição nos museus de Tel-Aviv, Haifa e Ein Harod. Os painéis “Guerra e Paz” são apresentados no Teatro Municipal do Rio. Recebe o prêmio “Guggenheim’s National Award”, da Fundação Guggenheim, de Nova York. O Museu de Arte Moderna do Rio edita o livro “Retrato de Portinari”, de Antônio Callado.

1957

A Maison De La Pensée, em Paris, apresenta uma exposição individual de Portinari, patrocinada pela Embaixada do Brasil, com 136 obras. Expõe também no Museu de Munique. Os painéis “Guerra e Paz” são inaugurados na sede da ONU. Recebe a “Hallmark Art Award”, de Nova York. Solomon Guggenheim expõe “Mulheres Chorando”, um dos grandes estudos preliminares do painel “Guerra”. No final do ano Portinari começa a escrever suas memórias: “Retalhos da Minha Vida de Infância”.

“Eram belas as manhãs frias na época da apanha do café e delicioso o canto dos carros de boi transportando as sacas da colheita. Quantas vezes adormecíamos sobre as sacas. A luz do sol parecia mais forte.”

“Era somente para nós. Ia pela estrada afora o carro vagaroso, cantando. Dormíamos cheio de felicidades. Sonhávamos sempre, dormindo ou não. Nossa imaginação esvoaçava pelo firmamento. Fantasias forjadas, olhando as nuvens brancas, mais brancas do que a neve. Tudo se movia ao nosso redor como um passe de mágica. Belas eram as seriemas, as saracuras e os tatus. Quando víamos no chão um orifício, sabíamos a que bicho pertencia. Conhecíamos também a maioria das árvores e arbustos, sabíamos a maioria das árvores e arbustos, sabíamos suas serventias para as doenças; as chuvas, o arco-íris, as nuvens, as estrelas, a lua, o vento e o sol eram-nos familiares. O contacto com os elementos moldava nossa imaginação e enchia nosso coração de ternura e esperança.”