governo sao paulo
  • portugues
  • espanhol
  • ingles
  • diminuir texto
  • aumentar texto

Iluminação expográfica do Museu Casa de Portinari: características e cuidados

O Programa de Acervo do Museu Casa de Portinari abrange objetivos e estratégias que contemplam os cuidados e procedimentos da coleção. A “salvaguarda e o desenvolvimento do patrimônio museológico, visando a preservação, valorização e disponibilização de sua coleção no presente e no futuro” é o primeiro objetivo específico do programa, que possibilita o desdobramento de outros propósitos igualmente importantes. Para cumprir esse compromisso, a instituição observa uma série de procedimentos e parâmetros que por vezes se relacionam com outros setores institucionais. A iluminação expográfica é um desses casos.

As instituições museológicas têm a difícil missão de apresentar suas coleções de forma a atrair e encantar seus públicos, oferecendo, simultaneamente, meios que não coloquem seus acervos em risco e permitam sua perpetualização. Este pode ser um ponto de tensão entre a ampliação da interatividade do público com o objeto e as medidas de proteção e salvaguarda do mesmo. Enquanto o público deseja estar próximo, manusear e experimentar a peça museológica, as medidas que eventualmente visam a conservação do acervo, desconsiderando as demais perspectivas, podem sugerir a manutenção dos objetos museológicos em ambientes escuros e sem a presença constante de pessoas que, pelo simples respirar, podem interferir em suas condições. Evidentemente que as boas práticas museológicas oferecem pontos de acordo entre os extremos. A iluminação da coleção deve cumprir o seu papel de revelar um olhar sobre o objeto, intervindo da menor forma possível em sua integridade física.

O restauro realizado no Museu Casa de Portinari entre os anos de 2012 a 2014 permitiu que as equipes técnicas refletissem sobre todos os processos das diversas áreas do museu. Semelhantemente, a iluminação foi implementada com o término das obras de restauro, por meio de um novo projeto luminotécnico realizado de forma alinhada com o projeto de curadoria do Museu.

Nos ambientes internos, foram instalados trilhos nos forros, que receberam essencialmente três tipos diferentes de luminárias: fitas de LED de 45º e projetores (spots) de LED, de 10º e de 35º, estes últimos dimerizáveis. A capacidade de controlar a iluminação diz respeito ao uso do “dimmer”, que é um dispositivo que tem a capacidade de variar a intensidade de luz de uma luminária, conforme a necessidade. Além dos trilhos nos forros, as vitrines também receberam iluminação de LED, de 45º, dimerizável. Como a ligação luminotécnica foi toda interligada e automatizada, a regulagem da intensidade de luz pode ser realizada por meio de tablet equipado com um aplicativo específico para esta finalidade, e se conecta a um roteador que transmite o comando para todos os pontos da casa, ou área específica, se necessário, ou apenas para uma luminária objetivada. Por exemplo, caso seja necessário, por algum motivo, diminuir a incidência de luz de um determinado ambiente ou vitrine, esse ajuste pode ser feito pontualmente pelo tablet, de forma rápida, prática e sem interferir nos demais setores da casa.

Essa possibilidade se mostrou bastante adequada às necessidades do Museu, pelo fato deste contar com um acervo bastante heterogêneo, que apresenta diferentes necessidades relacionadas à incidência de iluminação. Por exemplo, enquanto peças em metal (como os talheres expostos na Sala de Jantar) não apresentam exigência alguma com relação à incidência de luz, resistindo a diversas variações, o couro (como o cinto do artista que é exibido na Sala da Linha do Tempo) exige que a incidência não ultrapasse os 150 luxes. Já o papel e os tecidos (como os desenhos originais do artista e as vestimentas) exigem que a marca seja inferior a 50 luxes. Com uso de um luxímetro, a regulagem da iluminação nos diversos pontos da casa ficou mais simples e efetiva.

A automação permitiu também a criação de quatro cenários diferentes de iluminação, os quais variam de maior para menor intensidade, se necessário. Atualmente são usadas apenas uma das cenas, a qual foi configurada de forma a atender às exigências de conservação. Para seleção da cena desejada, aciona-se um botão específico em um controle mantido em área sem circulação do público. No final do expediente, com um toque do botão “off”, tudo é desligado rapidamente.

Apesar da iluminação interna ter sido modernizada, os pontos antigos de luz com os lustres da família Portinari foram mantidos em funcionamento, sendo ligados de forma alternada de acordo com cada ambiente em questão, uma vez que alguns espaços não receberam a iluminação expográfica por não conterem objetos museológicos. Às segundas-feiras, dia de manutenção e limpeza na casa, a iluminação expográfica é mantida desligada e os lustres (bem menos potentes do que os spots e fitas em LED) são acionados. Esse revezamento permite o “descanso” necessário à coleção.

Por fim, a área externa também foi contemplada pelo projeto e oferece uma iluminação cenográfica que valoriza não só a edificação em si, como também os elementos presentes nela, tais como a vegetação, os caminhos em tijolo cru dos jardins e as formas simétricas dos canteiros, com postes modernos e discretos, refletores e espetos que não interferem na leitura da proposta da casa.

Nesse momento, a direção está estudando formas de melhorar a iluminação externa, visando economicidade e atualização tecnológica. Por se tratar de área bastante permeada pelo avanço da tecnologia, novas perspectivas sempre podem ser consideradas e eventualmente oferecer melhores resultados para o Museu e sua coleção, sempre buscando convergir as propostas educativas e de conservação preventiva.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*