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Projeto de História Oral do Museu Casa de Portinari: a preservação da memória coletiva a partir de diferentes perspectivas – Parte I

Parte imprescindível do Programa de Acervo do Museu Casa de Portinari, o Projeto de História Oral refere-se a atividade de coletar, tratar, produzir, disponibilizar e armazenar depoimentos de cidadãos brodowskianos ou não, com experiências ou lembranças relacionadas à história da cidade de Brodowski, ao Museu Casa de Portinari, ao artista e sua família, entre outras. Através dessa ação, é possível levantar novas informações, reconstruir cenários antigos e enxergar contextos específicos a partir de diferentes experiências dos membros da comunidade.

“O que torna o projeto especial é que por ‘relevante’ não entendemos somente os momentos que tenham necessariamente entrado para a história conhecida da cidade, mas tudo o que o entrevistado considera importante a partir do seu próprio ponto de vista. Neste sentido, várias informações foram confirmadas em depoimentos que ora se relacionam com os fatos considerados notórios pelos livros de história, ora não”, diz Matheus Maia, assistente de acervo do Museu que atua no projeto.

Todos os depoimentos seguem roteiros semelhantes: um conjunto de perguntas é preparado previamente – as quais se repetem de entrevistado para entrevistado, sofrendo apenas pequenos ajustes mediante a ligação da pessoa com alguma memória específica da cidade. Os questionamentos são pontos de partidas, que mais estimulam a recuperação de memórias do entrevistado, do que perguntas que devem ser respondidas objetivamente. Para motivar que antigas lembranças sejam externadas, o entrevistador pede para o entrevistado relacionar o Museu, a cidade ou algum fato com um cheiro, um som ou uma recordação.

A entrevista é realizada preferencialmente na casa do entrevistado, para que ele se sinta à vontade e possa falar com mais naturalidade. Com o recurso de uma filmadora de mão sobre um tripé, a gravação da cena é sempre realizada no plano médio, isto é, enquadrando o entrevistado da cintura para cima, que, sentado, fala com o entrevistador que não aparece em momento algum da filmagem. Todas as expressões das memórias são bem-vindas e relevantes. Diferentes sentimentos são registrados e expressos ali. Há os que choram, os que têm ataques de risos, que demonstram arrependimentos, orgulho, saudades…

Há entrevistas que duram cinco minutos e há aquelas que se estendem por mais de 30 minutos. Em média, os vídeos têm duração entre 15 e 20 minutos. Após a coleta dos depoimentos, eles passam por pequenos ajustes e são transcritos na íntegra. A transcrição deve ser fidedigna e precisa descrever, através de termos sintéticos, tais como “rindo”, “emoção”, “mostrando com as mãos” etc., o que o entrevistado sinalizar e quais reações aparentes o assunto causa a ele. Até mesmo as pausas do entrevistado são relevantes no registro dessa etapa. Em média, cada hora de gravação corresponde a cerca de quatro horas de transcrição para o papel. O documento com a transcrição é indexado em uma planilha e arquivado junto com uma ficha de identificação pessoal do entrevistado.

Para a etapa que trata sobre a disponibilização da entrevista ao público no site institucional, convidamos o leitor a acompanhar a próxima edição desta sessão que trará informações sobre o projeto “Poéticas da Memória”, um desdobramento do Projeto de História Oral do Museu Casa de Portinari.

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