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Programa de Acervo e Programa de Edificações: uma relação de proximidade e colaboração

No Museu Casa de Portinari, um dos grandes desafios do Programa de Acervo é propor ações que contemplem a conservação e a segurança dos objetos museológicos, bem como da edificação que abriga as peças. A residência, além do fato de ter pertencido a um dos maiores artistas nacionais e conter algumas de suas pinturas murais, é hoje um dos poucos exemplos de arquitetura vernacular do começo do século passado. No entanto, algumas atividades beneficiam esses dois elementos, favorecendo, ao mesmo tempo, tanto a condição deles quanto a correta manutenção do edifício.

As atividades que se relacionam com a manutenção, a conservação preventiva e a segurança predial estão previstas no Programa de Edificações, parte integrante do plano de trabalho institucional que visa garantir a proteção da edificação, do acervo, das instalações e das pessoas que transitam no equipamento. Além disso, visa a criação de condições para acessibilidade física às áreas prediais e também a ampliação da sustentabilidade ambiental do museu. Nesse sentido, ambos os projetos se relacionam de forma harmônica, contribuindo para os demais programas institucionais que cumprem a missão e a visão do museu.

Semelhantemente ao Programa de Acervo, é a partir do Programa de Edificações que ações e rotinas são determinadas, desenvolvidas e acompanhadas em diferentes periodicidades na instituição. Por exemplo, atividades como a limpeza de calhas e condutores pluviais contribuem não só para a segurança da coleção, uma vez que inundações são evitadas, mas também para a conservação dos objetos, já que um ambiente livre de umidades e infiltrações favorece a sanidade das peças museológicas. Estas, apesar de diferentes, carecem, de uma forma geral, de ambientes estáveis e com umidade controlada.  O Museu Casa de Portinari é cercado por diferentes espécies arbóreas que, naturalmente, perdem folhas. Por isso, a limpeza é realizada semanalmente, podendo ser estendida a duas ou mais vezes, dependendo da época do ano.

Nesse mesmo sentido, o acompanhamento de fissuras, rachaduras, pequenos desprendimentos de reboco e aberturas no madeiramento das janelas, portas e forro contribui diretamente para conservar a edificação e também a coleção de pinturas murais, as quais, mais do que qualquer outro item do acervo, demandam total atenção.

De forma evidente, os demais objetos museológicos são naturalmente beneficiados por tais medidas, pelo fato das mesmas proporcionarem que as peças estejam expostas em espaços abrigados de variações extremas do ambiente e preservadas de ações de agentes naturais, como roedores e insetos. Diariamente, esses itens são acompanhados por todos os funcionários institucionais, todavia, quinzenalmente, inspeções mais detalhadas são realizadas pela equipe de acervo e de edificação e, ainda, trimestralmente, consultores se juntam para acompanharem os trabalhos e proporem possíveis soluções.

As ações de combate a princípios de incêndio seguramente contemplam todas as esferas envolvidas na instituição. O treinamento da brigada de incêndio, a correta manutenção dos extintores, os testes de sensores de calor e fumaça favorecem a conservação e perpetuação da coleção museológica evitando que a mesma esteja vulnerável a situações de risco de incêndio.

Essa área do programa é vista com bastante seriedade e, por isso, as ações são desenvolvidas diariamente, semanalmente, mensalmente, trimestralmente, semestralmente e anualmente. De forma oportuna, no segundo trimestre de 2019, foram concluídos os trabalhos de total isolamento elétrico do museu. Hoje, a instituição conta com 100% de suas ligações elétricas isoladas do forro de madeira e seus equipamentos eletrônicos utilizados na exposição de longa duração (media-players, potências de som, roteadores de iluminação, etc.) encontram-se posicionados em uma sala de comando, de fácil acesso para acompanhamento e manutenção. Além disso, o monitoramento remoto por câmeras auxilia a supervisão da normalidade da instituição, sobretudo à noite.

Finalmente, as ações de combate a pragas beneficiam tanto edificação quanto acervo, uma vez que ratos, cupins, traças e formigas podem ser nocivos aos dois elementos. O acompanhamento é feito pelas duas equipes diariamente e trimestralmente. O consultor da área se junta aos grupos para análise profunda e tomada de medidas de prevenção e, eventualmente, de correção.

A ligação entre os dois programas tem se estreitado dia após dia. Cada vez mais, um olhar sistêmico sobre o museu faz sentido e se mostra necessário não somente às equipes, mas também ao visitante e à comunidade em que o museu está inserido. Dessa forma, a instituição tem investido em eventos e atividades, tais como palestras, cursos e reuniões coletivas, que exponham e expliquem o papel de todos esses participantes que convivem com o museu, os quais podem contribuir para as atuações de ambos os projetos, visando tanto a conservação dos objetos pessoais, mobília, roupas e trabalhos artísticos de Candido Portinari, como também a de sua casa.

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