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Monitoramento ambiental: ferramenta para combater as variações climáticas que afetam as coleções

O Programa de Acervo do Museu Casa de Portinari tem, entre diversas tarefas, conservar a coleção museológica abrigada na própria casa em que esta era utilizada. Tal atividade se configura num verdadeiro desafio, uma vez que, tratando-se de um museu-casa, a junção do contexto histórico à preservação do espaço e da coleção heterogênea mediante variáveis externas, tais como o público e o clima, é uma difícil combinação de fatores por vezes antagônicos. O monitoramento ambiental se constitui, hoje, numa efetiva resposta à essa questão, sendo muito importante sobretudo para espaços museológicos localizados em contextos com grandes variações.

Define-se monitoramento ambiental, dentro da perspectiva museológica, como conjunto de práticas e medidas relacionadas ao bem-estar do objeto museológico frente às variações externas que podem eventualmente afetá-lo. As atividades que se ligam ao monitoramento ambiental são: rondas diárias, acompanhamento de dados de temperatura e umidade relativa do ar, intervenções (manuais e mecânicas), registro e composição de relatórios. A seguir, serão descritos o desenvolvimento dessas ações no Museu Casa de Portinari.

As rondas diárias são realizadas em diversos períodos do dia para que seja verificado: a presença da peça na coleção (apesar do museu dispor de sistema de segurança, a ronda também auxilia a garantia da existência e permanência do objeto); o estado em que a mesma se encontra (checagem para verificar a ocorrência de eventuais avarias, desgastes ou sujidades) e as condições em que está exposta (conferência dos níveis de luz, verificação de vitrines e suportes expositivos). É uma atividade que conta com atuação não só do setor de acervo, mas também da edificação, do educativo e da segurança patrimonial, os quais estão continuamente dentro da instituição.

O acompanhamento da variação de temperatura e umidade relativa do ar são pontos cruciais para a manutenção da correta ambiência requerida pelos diferentes objetos museológicos.  Identificar uma situação desfavorável possível ou real é o primeiro passo para promover mudanças nas condições que cercam o objeto. O museu basicamente faz uso de dois métodos para isso: presencial e à distância. As rondas promovem a análise do objeto in loco, eo constante acompanhamento permite resultados mais efetivos. Nesse sentido, toda a equipe é treinada para verificar uma situação alarmante para a coleção por meio da leitura de termo-higrômetros instalados junto às salas expositivas. Também há o sistema à distância: por meio de data-loggers, a equipe de acervo identifica com rapidez variações bruscas de temperatura e umidade, respaldando, assim, eventuais práticas de intervenção.

O monitoramento ambiental, apesar do termo, não serve apenas para constatar questões ambientais. Ele também sugere atos que possam reverter eventuais cenários desfavoráveis ao acervo. Brodowski está localizada no nordeste do estado de São Paulo, com altitude de 850m, vive frequentemente sob diferentes realidades de temperatura e umidade ao longo do dia – manhãs e noites frias, tardes quentes e secas, ventos gelados que trazem chuvas repentinas. Soma-se a isso a grande quantidade de visitantes diários à instituição: nos dias de semanas, grupos escolares de toda a região conhecem a instituição, enquanto aos finais de semana são os turistas que tomam conta dos cômodos. Mais do que constatar essas variações, é necessário neutralizá-las nos ambientes expositivos e vitrines, uma vez que para preservar as configurações da casa construída no início do século passado, o museu não faz uso de controle de temperatura por meio de aparelhos condicionadores de ar. Para isso, são utilizadas medidas singelas, porém efetivas, tais como abrir e fechar de portas e janelas (sempre observando a real possibilidade disso, em virtude da entrada de iluminação natural, da circulação de visitantes, da eventual presença de poeiras ou insetos, etc), uso de umidificadores/desumidificadores, sílica-gel, mudança de posicionamento de objetos e vitrines (após análise curatorial e de conservação) e até mesmo irrigação do jardim que circunda o equipamento. Geralmente as ações são executadas pelo setor de acervo, no entanto, o educativo, a segurança e a edificação também foram capacitados para atuarem na ausência de membros dos técnicos.

Todas essas atividades geram registros em planilhas de acompanhamento, fichas de conservação dos objetos e planilhas com gráficos de temperatura e umidade relativa. É de extrema relevância que os dados obtidos por meio do monitoramento ambiental sejam devidamente registrados de forma a se construir um histórico que possa ser recuperado e analisado posteriormente. Essa etapa é atribuída especificamente ao setor de acervo.

Por fim, são gerados relatórios analíticos trimestralmente que reúnem todas essas informações e que formalizam as medidas tomadas para o período. Tais dados também são aproveitados para atualização anual do Diagnóstico de Conservação, documento interno que trata minuciosamente de todas as questões relativas ao acervo.

Os museus são instituições que dentre suas funções têm a conservação do patrimônio material e imaterial, por isso o monitoramento ambiental é parte essencial para realização desta tarefa. O acervo da Casa de Portinari jamais conseguiria se perpetuar sem a observância de tais medidas e, nesse sentido, todo o corpo funcional tem atuado ativamente de forma a valorizar o legado de Candido Portinari e o patrimônio contido na residência dos Portinari.

 

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